A indústria química

O setor químico responde por 10% do PIB da indústria

no Brasil. Nos últimos anos, porém, uma série de

desafios no ambiente de negócios provocou estagnação

na produção e queda nos investimentos.

Setor da convergência

A indústria química produz insumos presentes em quase todos os bens de consumo e em todas as atividades econômicas. Pode-se dizer, sem risco de erro, que nenhum setor de atividade funciona sem a participação da indústria

química. Os produtos químicos são encontrados na agricultura, no setor e transportes, na mineração, na indústria

de transformação e até em serviços de saúde. Essa característica torna o setor estratégico em economias desenvolvidas e em desenvolvimento.

A indústria química é, portanto, um dos setores mais importantes e dinâmicos da economia brasileira. Nesse contexto, o desinvestimento da cadeia de produção

química é maléfico para o Brasil e traz uma série de prejuízos para a economia do País.

Geração de riqueza

A indústria química brasileira é a oitava maior do mundo. No Brasil, é responsável por 10% do PIB industrial (Produto Interno Bruto das indústrias), o que a coloca como o terceiro maior segmento na manufatura do País. O setor responde por 2 milhões de empregos, diretos e indiretos.

Trata-se de um segmento relevante para o comércio exterior; porém, registrou déficits na balança comercial nos últimos

anos, em um contexto de recessão na economia brasileira. No cenário de quase desinvestimento da indústria química

nacional, é de se esperar que essa demanda fosse atendida por produtos importados, provocando aumento do

déficit – situação ruim para as contas externas do País. Com a recuperação da economia, contudo, a demanda por

insumos químicos deve aumentar.

Apesar de ter papel fundamental para o desenvolvimento do Brasil, a indústria química vem sofrendo com uma série de

problemas que estão afetando os seus resultados – e, portanto, reduzindo seu potencial de entrega ao País.

Os desinvestimentos do setor

Em 2012, os investimentos na indústria química brasileira atingiram o pico de US$ 4,8 bilhões. O recorde de faturamento atingido do ano anterior, de US$ 150 bilhões. E as exportações cresciam a US$ 15,8 bilhões em 2011, um avanço de 52% desde 2009.

A análise superficial dos números dava a impressão de que a indústria química vinha em uma crescente inquestionável.

Ledo engano. A despeito do aumento dos investimentos e do faturamento recorde, o setor sofria um verdadeiro desmanche.

Entre 1990 e 2011, 289 empresas fecharam as portas ou mudaram o ramo de atividade. No total, 1.710 linhas de

produtos foram desativadas no período:904 entre 1990 e 2000 e 806 entre 2001e 2011. Isso dá uma média de 78 linhas de produtos desativadas por ano. Excetuadas

as linhas que são duplicadas, 893 produtos foram desativados e 447 não têm mais produção local.

Aos poucos, o fechamento de empresas e a descontinuidade da produção, entre outros fatores, impactaram na produção. Se no período entre 2003 e 2007 a indústria química cresceu 16%, entre 2013 e 2017, o segmento avançou apenas 2%. Na prática,pode-se dizer que o setor está estagnado.